terça-feira, 13 de março de 2007

Encontro ao acaso...ou talvez não?




Sentia um certo tédio a instalar-se nela. Não queria que isso acontecesse. Não podia deixar que a incomodasse a ponto de impôr uma certa intranquilidade em casa e contagiar todos aqueles que a amavam e que giravam à sua volta como se ela fosse o sol da sua vida. A Mathilde foi a primeira a sentir a sua instabilidade e ficava confinada ao espaço onde ela encontrava não permitindo que nada lhe faltasse.
Uma já satisfatória experiência de vida, levou-a a concluir que na mudança de estação, impõe-se sempre uma estranha sensação de perda. Mas de quê? Dos serões à lareira, da discussão dos temas da actualidade, das conversas banais onde entram as várias tarefas do dia seguinte ou dos dias que se avizinham?
Tinha de sair do torpor em que se encontrava, dar-lhe um safanão.
Na rua, esperava-a um dia de sol, uma temperatura primaveril e o bulício de uma cidade, pequena ,onde a desorganização não imperava e um plano director municipal, atempadamente feito, impedira o crescimento desorganizado dos muros de betão. A cem metros ou pouco mais, tinha um oceano deslumbrante, majestoso, convidativo ao sonho, à escrita, à leitura.
Escolheu um banco ao acaso e sentou-se. Não reparou que ao seu lado, alguém lia e, a espaços, parava e parecia meditar. Seria que ambos se debatiam com o mesmo problema? Olhou-o com mais atenção e reparou que lia um jornal inglês. Meteu conversa.
-You speak English?
-Sim mas sou português. Vivi muitos anos na África do Sul, depois da descolonização. Trabalhei num banco inglês, sou gestor, mas regressei há pouco a Portugal.
Tinha interlocutor, pensou. Falaram dos problemas africanos, da independência das colónias, da longa guerra civil em Angola, do Iraque, do incondicional apoio de Blair a Bush, do 11 de Setembro de 2002, da crise económica com que Portugal se dabate...e ficaram por ali algumas horas.
Depois, fez-se um silêncio entre ambos. Longo. Mas custava-lhes a despedida. Um parecia esperar que o outro falasse. Não queriam perder aquela inopinada oportunidade. Seria partida do destino? Será que o trazemos traçado? Ele quebrou o impasse:
- Costumas ficar por aqui até tarde? Queres jantar comigo?
Não costumava ficar por ali mas também não era seu costume jantar com estranhos.
Involuntariamente, deixou sair um suspiro, o peito subiu no decote da blusa e os olhos castanhos brilharam à luz da lua.
Um desejo mal disfarçado, da sua parte, permitiu-lhe, a ele, insistir no convite. Afinal de contas , obra do acaso levara-a ali e recebeu o convite sem mais encenações.
Se soubesse, se adivinhase, se a premonição tivesse funcionado, teria comprado um ramo de rosas, pensava ele. A uma mulher oferece-se sempre flores.
À luz das velas, na penumbra do restaurante, Ricardo olhou-a e ficou impressionado com a sua beleza, suave, a sua sensualidade de mulher madura, alegre, extrovertida, quente, com um sorriso que quase o entontecia.
Seria o amor a acontecer? Já saíram tarde. Ele levou-a a casa e, à luz do candeeiro, única testemunha na rua, pousou-lhe um beijo nos lábios.
Cheirava a Peimavera!

domingo, 11 de março de 2007

Da minha obstinação......Um Blog!

Tirada da net
No despertar deste mágico dia, apeteceu-me escrever. O sol ainda não vai alto mas já nasceu há umas horas. Saí há pouco do quarto, que fica lá ao fundo do corredor, fechei suavemente a porta e vim redigir umas palavras. Decidi dar início a um blog. Há muito que o vinha pensando. Julgo que podem contar comigo. A partir de hoje. Estou ciente de que mantê-lo não vai ser tarefa fácil. Mas há coisas fáceis na vida? Há em mim como que uma espécie de obstinação, como que uma teimosia para entrar aqui. Dizem-me. Mas eu sou obstinada! Teimosa!
Apesar de algum cepticismo, creio que irei encontrar interlocutores, quem esteja disposto a dar-me um pouco do seu tempo.
Neste domingo soalheiro, em que o Inverno parece querer despedir-se desta face da Terra e partir para outras paragens, vim ao encontro deste mundo virtual mas fascinante. À medida que a estação ia mudando, ia também nascendo em mim, progressivamente, esta vontade de me associar a vós e fazer parte deste grupo numeroso.
E quando menos se espera, nascem amizades que irão para sempre mudar o rumo das coisas. Quem sabe se ficarei por aqui muito tempo?
Proponho-me escrever, semanalmente, ao fim-de-semana, umas palavras, poucas, onde poderão apreciar quem sou. Com todas as minhas qualidades e defeitos.
Tenham um bom Domingo!

Quem sou eu

Uma mulher sensível, que se comove com facilidade, corajosa, que se indigna com as injustiças da vida,as desigualdades sociais...mas que ama viver.